Reumatologista detalha como o sistema nervoso central intensifica a dor na fibromialgia e orienta sobre hábitos que ajudam a amenizar os sintomas.
Dor persistente, fadiga intensa, dificuldade para dormir e sensação constante de cansaço. Para milhões de pessoas que convivem com a fibromialgia, esses sintomas fazem parte da rotina, mesmo quando exames laboratoriais e de imagem indicam que “está tudo normal”. Essa realidade faz com que muitos pacientes enfrentem anos de sofrimento até receberem um diagnóstico correto.
Segundo o reumatologista Dr. Fábio Batistella, especialista em dor crônica e fibromialgia, um dos maiores equívocos é acreditar que a ausência de alterações nos exames significa ausência de doença. A fibromialgia é uma condição reconhecida pela medicina e está relacionada ao funcionamento do sistema nervoso central, que passa a interpretar os estímulos de forma exagerada, aumentando a percepção da dor.
Além da dor generalizada, a doença costuma provocar fadiga persistente, distúrbios do sono, dificuldade de concentração (conhecida como “névoa mental” ou fibro fog) e maior sensibilidade a estímulos, como luz, sons, cheiros e toque. Embora esses sintomas impactem profundamente a qualidade de vida, eles nem sempre são valorizados durante a investigação clínica.
De acordo com o Dr. Fábio Batistella, compreender o funcionamento da fibromialgia é um passo importante para que o paciente deixe de se sentir desacreditado e passe a adotar estratégias que ajudam no controle das crises.
Com base nas evidências atuais sobre dor crônica e neurociência, o especialista destaca seis atitudes que podem contribuir para reduzir a intensidade dos sintomas quando a crise aparece.
A primeira delas é a respiração diafragmática. Respirar de forma lenta, profunda e controlada ajuda a acalmar o sistema nervoso central, reduzindo o estado de alerta do organismo e diminuindo a percepção da dor.
Outra estratégia é o uso do calor terapêutico. Aplicar bolsas térmicas ou compressas mornas na região mais dolorida promove relaxamento muscular, melhora a circulação local e proporciona alívio dos sintomas.
Ao contrário do que muitos imaginam, permanecer completamente imóvel durante uma crise pode piorar o quadro. Por isso, o Dr. Fábio Batistella recomenda movimentos leves, como levantar-se devagar, realizar alongamentos suaves e pequenas caminhadas, respeitando sempre os limites do próprio corpo. Essa prática ajuda a evitar a rigidez muscular e favorece o controle da dor.
Manter a rotina também faz diferença. Mesmo em dias difíceis, a orientação é continuar realizando as atividades cotidianas dentro das possibilidades, reduzindo o ritmo quando necessário e evitando a sobrecarga física e emocional.
Outro cuidado importante é controlar os estímulos que aumentam a sensibilidade do sistema nervoso. Ambientes muito barulhentos, luzes intensas e situações de estresse podem intensificar a dor. Em alguns casos, conforme orientação médica, o uso correto dos medicamentos prescritos também faz parte desse controle.
Por fim, investir na qualidade do sono é considerado um dos pilares do tratamento. Criar horários regulares para dormir, reduzir estímulos antes de deitar e desenvolver uma boa higiene do sono contribuem para diminuir a intensidade das dores e favorecer a recuperação do organismo.
Embora ainda seja cercada por desinformação, a fibromialgia é uma condição médica reconhecida e que exige uma abordagem multidisciplinar. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na avaliação dos sintomas e na exclusão de outras doenças, já que os exames convencionais geralmente não identificam alterações.
Para o Dr. Fábio Batistella, compreender que a dor é real, mesmo quando não aparece nos exames, é fundamental para que o paciente encontre acolhimento, receba tratamento adequado e recupere sua qualidade de vida.
Mais do que aliviar as crises, a combinação entre informação, acompanhamento especializado, atividade física orientada, hábitos saudáveis e estratégias para regular o sistema nervoso representa um dos caminhos mais eficazes para controlar a fibromialgia e permitir que o paciente volte a viver com mais autonomia e bem-estar.