# Mercado de estética avança no Brasil, mas individualização vira o novo critério de competitividade
O mercado brasileiro de estética e beleza atravessa um ciclo de crescimento consistente. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), o Brasil ocupa hoje a 4ª posição no ranking global do setor, atrás apenas de Estados Unidos, China e Japão, e movimenta mais de R$ 100 bilhões por ano. Procedimentos minimamente invasivos, como harmonização facial, bioestimuladores e tecnologias a laser, já respondem por mais de 70% das intervenções estéticas no país, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. O cenário se reflete em uma cadeia que cresceu 16,5% em 2024 e mantém ritmo positivo em 2025.
A expansão, no entanto, expõe um paradoxo que ganha peso na agenda do setor. À medida que a oferta cresce, também aumentam os relatos de procedimentos malexecutados, padronização estética excessiva e expectativas frustradas. A American Society for Dermatologic Surgery (ASDS) tem destacado, em seus relatórios recentes, o avanço de protocolos minimamente invasivos baseados em segurança clínica e preservação da identidade do paciente. A leitura é semelhante no Brasil. O diferencial competitivo deixa de estar apenas na técnica e passa a estar na forma como cada caso é avaliado, planejado e conduzido.
Esse movimento aparece com clareza em clínicas que apostaram em individualização como modelo de operação. É o caso da Clínica Donaii, em Paulínia, no interior de São Paulo, conduzida pelas especialistas Tatiane Ribeiro, enfermeira esteta (COREN-SP 283037), e Cláudia Gomes, micropigmentadora paramédica e acadêmica de Biomedicina. A operação combina três frentes que vinham sendo tratadas de forma fragmentada pelo mercado: harmonização facial, harmonização íntima e micropigmentação paramédica para reconstrução de aréola pós-mastectomia.
Para Tatiane Ribeiro, a virada do setor é menos tecnológica e mais clínica. “Com o avanço das técnicas, o problema não é mais o que fazer, e sim como, quando e em quem fazer. Não é a tecnologia, é o critério clínico. O erro mais comum hoje é o excesso”, afirma. A leitura encontra eco em profissionais que apontam o exagero como o principal vetor de insatisfação da paciente brasileira atual. Para Tatiane, a abordagem responsável passa por avaliação global, identificação da real dor da paciente, planejamento estratégico e execução em etapas. “Menos é mais, sempre. Prefiro evoluir em etapas do que exagerar em uma única sessão”.
O ponto não é trivial em um mercado que enfrenta pressão regulatória crescente. Em diferentes regiões do país, conselhos profissionais têm reforçado a necessidade de habilitação técnica para procedimentos injetáveis, com risco real de trombose vascular, necrose tecidual e complicações estéticas graves quando a aplicação é feita sem critério. Para Tatiane, a defesa do paciente começa antes da técnica. “Estamos falando de uma área sensível, vascularizada e funcional.
Pequenos detalhes na aplicação fazem grande diferença no resultado final. Segurança não é detalhe, é prioridade”, argumenta. No caso da harmonização íntima, frente em que a clínica também atua, o cuidado se desdobra em respeito a limites anatômicos, uso de produtos reconhecidos e acompanhamento próximo no pós-procedimento.
A terceira frente da clínica, a micropigmentação paramédica para reconstrução areolar pós-mastectomia, opera em um nicho que ainda é tratado como serviço auxiliar pelo mercado, mas tende a ganhar relevância à medida que a discussão sobre saúde feminina avança. Segundo Cláudia Gomes, a técnica exige domínio de dermopigmentação 3D para recriar nuances de cor, profundidade e textura. “Trabalho com camadas de pigmentos, mistura personalizada de tons e efeitos de luz e sombras para devolver não apenas a cor, mas a identidade daquela região”, afirma. A operação só é iniciada após liberação médica e considera histórico, tipo de pele e estágio de cicatrização da paciente.
Para o investidor e o gestor que olham o setor, a leitura combinada das três frentes da Donaii sinaliza um movimento mais amplo. O diferencial competitivo de uma clínica de estética no Brasil de 2026 deixa de estar na quantidade de tecnologias disponíveis e passa a estar na coerência entre diagnóstico, planejamento e execução.
Em um mercado que segue em expansão, mas começa a ser cobrado por consistência, ganha quem entende que estética bem feita, como resume Tatiane Ribeiro, “não chama atenção”. Faz a paciente pensar: parece que sempre foi assim, mas agora está melhor”. É um critério que combina sensibilidade clínica e racionalidade de negócio, e que tende a separar operações duráveis de operações episódicas nos próximos ciclos do setor.