Panorama da travel tech corporativa: Loupit lança marketplace no Brasil

Enquanto SAP Concur, Navan e TravelPerk lideram a consolidação global, a Loupit aposta em marketplace e plataforma única para conquistar CFOs no Brasil

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Loupit lança o primeiro marketplace de viagens corporativas voltado a agências e consolida várias funcionalidades em uma única plataforma.

Enquanto SAP Concur, Navan e TravelPerk lideram a consolidação global, a Loupit aposta em marketplace e plataforma única para conquistar CFOs no Brasil

O segmento de travel tech corporativa registra movimentação intensa no cenário internacional, com três players concentrando parcela expressiva do mercado. A SAP Concur mantém posição consolidada em integração com sistemas ERP para corporações multinacionais, enquanto a Navan captou volume significativo de venture capital, refletindo a tese de crescimento acelerado. A TravelPerk, por sua vez, expandiu presença na Europa e América Latina com foco em flexibilidade de políticas e inventário ampliado.

O apetite de fundos de private equity pela categoria se intensificou em 2024, sustentado por recorrência de receita, aderência regulatória crescente e digitalização ainda incipiente de empresas de médio porte em mercados emergentes. A projeção de margem operacional das principais plataformas incorpora expectativa de expansão orgânica combinada com ganho de escala, o que justifica múltiplos elevados mesmo em ambiente de juros restritivos.

No Brasil, particularidades tributárias e a exigência de integração com sistemas de nota fiscal eletrônica limitam a adoção direta de soluções globais. Esse contexto impulsionou o desenvolvimento de plataformas locais, como a Loupit, que lançou o primeiro marketplace de viagens corporativas voltado a agências, conforme noticiado pela Panrotas.

O modelo permite consolidar cotações simultâneas de múltiplas agências parceiras em uma única pesquisa, otimizando a identificação de disparidades de preços entre fornecedores para o mesmo trecho e período.

“A consolidação de funcionalidades em uma única plataforma, viagens, despesas, relatórios, mobilidade urbana, T&E (Travel & Expense) multipaís e negociação de tarifas, responde a uma demanda clara de CFOs e controllers por governança e redução de custos administrativos”, afirma Patrick Tytgadt, fundador da Loupit.

O mercado brasileiro de viagens corporativas encerrou o último ciclo com faturamento recorde de R$ 148 bilhões, segundo levantamento da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) em parceria com a ALAGEV (Associação Latino Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas).

As projeções para o encerramento do ciclo atual oscilam entre R$ 158 bilhões e R$ 160 bilhões. Apenas em maio de 2026, o setor movimentou R$ 17,9 bilhões, alta de 6,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior e recorde histórico para o período, segundo o LVC (Levantamento de Viagens Corporativas).

No acumulado de janeiro a julho de 2026, o segmento de turismo de negócios atingiu R$ 8,4 bilhões em movimentação isolada nos modais auditados. O transporte aéreo segue como a maior fatia do orçamento corporativo, representando aproximadamente 59,6% do gasto de movimentação, de acordo com a ABEAR (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) e a FecomercioSP.

Para CFOs e controllers, a decisão de plataforma deixou de ser tema exclusivo de procurement e passou a integrar o planejamento financeiro estratégico, dado o impacto direto em visibilidade de caixa e compliance. A ABRACORP (Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas) reforça esse movimento ao acompanhar a profissionalização do setor, num momento em que a combinação entre economia por cotação simultânea e adaptação regulatória local deve orientar a avaliação de fornecedores para o ciclo 2025-2026.